domingo, 8 de novembro de 2009

"Não Desperdice Seu Câncer" (5 de 5)

John Piper:
Paulo usou esta frase em relação àqueles cujos entes queridos haviam morrido: “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança” (1 Ts 4.13). Existe lamentação diante da morte. Mesmo para os crentes que morrem, existe uma perda temporária – perda do corpo, perda dos queridos aqui e perda de um ministro terreno. Mas a dor é diferente – é permeada de esperança. “Entretanto, estamos em pela confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o SENHOR” (2 Co 5.8). Não desperdice seu câncer lamentando-se como aqueles não têm essa esperança.

David Powlison:
Mostre ao mundo essa maneira diferente de lamentar-se. Paulo disse que ele teria “tristeza sobre tristeza” (Fp 2,27) se seu amigo Epafrodito tivesse morrido. Ele havia se lamentando, sentindo o peso dolorido da doença do seu amigo. E teria sofrido em dobro se o seu amigo tivesse morrido. Mas essa dor honesta, amoroso, divinamente orientada coexiste com “alegrai-vos sempre” e “a paz de Deus que excede todo o entendimento” e “sinceramente cuide dos vossos interesses” (Fp 4.4,7; 2.20). Como é possível que pesar e tristeza coexistam com amor, alegria, paz e um sentido indestrutível de propósito na vida? Na lógica interna da fé, isso faz pleno sentido. De fato, porque você tem esperança, você pode sentir de modo mais agudo os sofrimentos desta vida: tristeza sobre tristeza. Do outro lado, essa lamentação que não tem esperança com freqüência escolhe a negação ou a fuga ou a continuidade dos negócios porque não consegue encarar a realidade sem se sentir perturbado. Em Cristo, você sabe o que está em jogo; portanto, você sente de modo agudo os erros deste mundo decaído. Você não aceita, simplesmente, a morte e dor. Você ama o que é bom e odeia o que é mau. Afinal, você prossegue segundo a imagem do “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53.3). Mas este Jesus escolheu de boa vontade sua cruz “pela alegria que lhe estava proposta” (Hb 12.2). Ele viveu e morreu na esperança de que tudo se realizaria. Sua dor não foi aquietada pela negação ou pelo medicamento, nem foi manchada pelo desespero, pelo medo ou pelo debate à procura de qualquer fiapo de esperança que pudesse modificar as circunstâncias. As promessas finais de Jesus derramam-se com a alegria de uma esperança sólida em meio às tristezas: “Para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo”; “vossa tristeza se converterá em alegria”; “a vossa alegria ninguém poderá tirar”; “pedi e recebereis para que a vossa alegria seja completa” (ver Jo 15-16).

9. Você desperdiçará seu câncer se considerar o pecado de maneira tão superficial como antes.

John Piper:
Você considera os seus pecados costumeiros tão atraentes como eram antes de ter câncer? Se for assim, você está desperdiçando seu câncer. O câncer é dado para destruir o apetite pelo pecado. Orgulho, ambição, cobiça, ódio, falta de perdão, impaciência, preguiça, procrastinação – todos esses sãos os adversários que o câncer precisa atacar. Não pense apenas em lutar contra o câncer. Pense também em lutar com o câncer. Todas essas coisas são inimigos piores do que o câncer. Não desperdice o poder que o câncer possui para esmagar esses inimigos. Permita que a presença da eternidade faça com que os pecados deste tempo pareçam tão fúteis como realmente são. “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si mesmo” (Lc 9.25).

David Powlison:
O sofrimento realmente propõe-se afastá-lo do seu pecado e fortalecê-lo em sua fé. Se você é descrente, então o sofrimento aumenta o pecado. Você se tornará cada vez mais amargo, desesperado, mais entregue, medroso, frenético, esquivo, sentimental e descrente em sua maneira de enfrentar a vida? Você pretenderá levar a vida como sempre? Você entrará em acordo com a morte em seus próprios termos? Porém, se você pertence a Deus, então o sofrimento nas mãos de Cristo o modificará, sempre, seja vagarosamente, seja com rapidez. Você entrará em acordo com a vida e com a morte nos termos dele. Ele o abrandará, o purificará, o libertará de futilidades. Ele o levará a precisar dele e a amá-lo. Ele reordenará suas prioridades, de sorte que as primeiras coisas venham antes com mais freqüência. Ele caminhará com você. Sem dúvida você fraquejará algumas vezes, talvez levado pela irritabilidade ou pela ruminação ansiosa, pelo escapismo ou pelos medos. Mas ele sempre o levantará quando você tropeçar. Seu inimigo interior – um câncer moral dez mil vezes mais mortal que o câncer físico – morrerá à medida que você continuar a buscar e a encontrar seu Salvador: “Por causa do teu nome, SENHOR, perdoa a minha iniqüidade, que é grande. Ao homem que teme ao SENHOR, ele o instruirá no caminho que deve escolher” (Sl 25.11,12).

10. Você desperdiçará seu câncer se deixar de usá-lo como meio de testemunhar a verdade e a glória de Cristo.

John Piper:
Os cristãos nunca estão em qualquer lugar por acidente divino. Existem razões pelas quais viemos para onde estamos. Consideremos o que Jesus disse sobre circunstâncias dolorosas e não planejadas: “Lançará mão de vós e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, e isto vos acontecerá para que deis testemunho” (Lc 21.12,13). É assim com seu câncer. Essa será uma oportunidade de dar testemunho. Cristo é infinitamente digno. Aqui está uma oportunidade de ouro para mostrar que ele vale mais que a vida. Não a desperdice.

David Powlison:
Jesus é sua vida. Ele é o homem perante quem todo joelho se dobrará. Ele derrotou a morte de uma vez por todas. Ele terminará o que começou. Faça a sua luz brilhar à medida que você vive nele, por ele, por meio dele, para ele. Um dos antigos hinos da Igreja assim coloca:
Cristo seja comigo, Cristo esteja dentro de mim,
Cristo atrás de mim, Cristo antes de mim,
Cristo ao meu lado, Cristo a me conquistar,
Cristo a me confortar e a me restaurar.
Cristo sob mim, Cristo acima de mim,
Cristo na quietude, Cristo no perigo,
Cristo nos corações de todos os que me amam,
Cristo na voz do amigo e do estranho.

Em seu câncer, você vai precisar que seus irmãos e irmãs testemunhem a verdade e a glória de Cristo, caminhem com você, vivenciem sua fé ao seu lado, amem você. Você pode fazer o mesmo com eles e com todos os outros, tornando-se o coração que ama com o amor de Cristo, a boca cheia de esperança tanto para amigos como para estranhos.

Lembre-se de que você não será deixado sozinho. Você terá a ajuda de que necessita. “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma das vossas necessidades” (Fp 4.19).





Apêndice retirado do livro “O Sofrimento e a Soberania de Deus” – John Piper e Justin Taylor. Editora Cultura Cristã. 1ª edição. 2008.

sábado, 7 de novembro de 2009

Milagres Satânicos - R. C. Sproul

"... A questão continua: E os milagres de Satanás? A Bíblia não ensina que Satanás, o Grande Enganador, também pode realizar milagres? Observemos alguns dos textos relevantes da Bíblia que levantam esta questão:

Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor vosso Deus vos prova, para saber se amais o Senhor vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma (Dt 13.1-3).

Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade (Mt 7.22,23).

Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais; eis que ele está no interior da casa, não acrediteis (Mt 24.23-26).

A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade (2Ts 2.9-12).

Esta amostra de textos bíblicos chama a atenção para a sóbria admoestação acerca dos poderes e do engano de Satanás. Sua primeira aparição como serpente no Éden foi marcada pela malícia e astúcia, e ele continua a ser um adversário formidável para o povo de Deus. Como Lutero disse: “astuto e mui rebelde” e, uma vez que está unido ao “ânimo cruel”, ele se torna ainda mais perigoso. Satanás é tão habilidoso na arte de enganar que ele é capaz de nos aparecer sub species boni , ou sob os auspícios do bem. Ele pode se transformar em anjo de luz, e ele busca enganar até “os escolhidos” (Mt 24.24 e Mc 13.22).

As Escrituras retratam Satanás como um ser superior a nós. Ele é um ser angelical, embora seja um anjo caído. Como tal, estritamente falando, ele não é um ser sobrenatural. Ele pode ser superior ao que esperamos ver na “natureza” comum, mas ele ainda pertence à ordem natural no sentido de que ele é uma criatura e parte da ordem de criaturas da natureza. Ele não está no nível de Deus e não possui atributos divinos incomunicáveis. Ele é um ser espiritual, porém um espírito finito. Ele não é infinito, eterno, imutável, onisciente ou onipresente. Ele pode ter mais conhecimento do que temos e um poder maior, mas ele não tem o poder divino.

Quando a Bíblia fala de pretensos “milagres” de Satanás, suas obras são chamadas de “sinais e prodígios de mentira” (2Ts 2.9). A questão é a seguinte: o que quer dizer o termo mentira? Isto significa que Satanás pode realizar milagres verdadeiros em favor de uma causa mentirosa? Ou significa que os sinais e prodígios que ele realiza são mentiras na medida em que são truques fraudulentos e não milagres verdadeiros? Os teólogos se dividem nesta questão.

Alguns crêem que Satanás pode realizar milagres verdadeiros no sentido de que ele pode fazer obras que são contra naturam, e alegam que essas obras não são contra peccatum , ou “contra o pecado”. Esta distinção técnica tem o objetivo de mostrar que, embora Satanás possa agir contra a natureza, ele nunca pode, ou pelo menos não poderá, agir contra seus próprios propósitos do mal, que são “a favor do pecado” em vez de “contra o pecado” . O raciocínio é que uma casa dividida contra si mesma não permanece e Satanás nunca agirá contra seus próprios objetivos fazendo milagres. Seus milagres sempre são direcionados contra o bem e a verdade de Cristo. Sabemos, por defensores dessa opinião, que podemos discernir a diferença entre os milagres de Satanás e os milagres de Deus, sujeitando-os à prova da Escritura.
Esse argumento sofre de uma falácia fatal, a falácia do raciocínio circular. Antes de podermos testar os milagres de Satanás pelo contexto da Escritura, devemos, primeiro, ter uma Escritura pela qual testá-los. Lembramos que a Escritura é atestada pelos milagres realizados pelos agentes da revelação que certificam que são porta-vozes de Deus. Contudo, como sabemos que os milagres que os atestaram não foram satânicos? Talvez Nicodemos devesse ter corrigido sua afirmação para, “Bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus ou de Satanás; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele”. Na verdade, foi essa a acusação que os fariseus fizeram contra Jesus, que ele estava realizando milagres pelo poder de Satanás. Neste ponto, sua teologia foi inferior àquela de Nicodemos, que foi mais restritiva na sua visão de milagre.

O mesmo problema que encontramos com a questão dos milagres realizados por não-agentes da revelação está exagerado pelo problema dos milagres satânicos. Se Satanás pode realizar milagres verdadeiros, então o apelo bíblico aos milagres como certificação de que os operadores de milagres vêm de Deus é um apelo ilegítimo.

Penso que faz mais sentido concluir que a “mentira” que descreve os sinais e prodígios de Satanás não só descreve seu objetivo, mas seu caráter. Eles são sinais mentirosos por serem fraudulentos e falsos. Seus sinais se assemelham aos truques espantosos realizados pelos magos do Egito que buscavam ter os mesmos poderes de Moisés:

E o Senhor falou a Moisés e a Arão, dizendo: Quando Faraó vos falar, dizendo: Fazei por vós algum milagre; dirás a Arão: Toma a tua vara, e lança-a diante de Faraó, e se tornará em serpente. Então Moises e Arão entraram a Faraó, e fizeram assim como o Senhor ordenara; e lançou Arão e sua vara diante de Faraó, e diante dos seus servos, e tornou-se em serpente. E Faraó também chamou os sábios e encantadores e os magos do Egito fizeram também o mesmo com os seus encantamentos. Porque cada um lançou sua vara, e tornaram-se em serpentes; mas a vara de Arão tragou as varas deles (Êx 7.8-12).

Os magos do Egito não tinham mais mágicas do que os mágicos têm hoje. A diferença é que a maioria dos mágicos modernos no mundo ocidental realmente não declara fazer mágica, contudo, está muito disposta a se chamar de “ilusionista”, ou mestre do truque de mão. Existem muitas lojas de magia onde aqueles interessados nessa forma moderna de entretenimento podem aprender muitos truques da arte. Certa vez, tive um vizinho que era marceneiro. Sua especialidade era fazer gabinetes especiais para a realização de mágicas. Eles tinham mecanismos inteligentes de dobradiças, fundos falsos, painéis secretos e freqüentemente espelhos. Os mágicos de hoje não têm problemas para esconder um coelho em uma cartola ou mesmo uma cobra em um tubo desmontável. Quando Moisés e Arão realizaram seus milagres, os magos do Egito acharam que podiam fazer igual. Contudo, não só suas serpentes foram tragadas no processo, eles ficaram aflitos quando logo se esgotou seu saco de truques e não puderam realizar os feitos dos verdadeiros operadores de milagres.

Alguns dos truques realizados pelos mágicos modernos são verdadeiramente espantosos para aqueles que os assistem. A ironia é que, embora muitos deles exijam grande habilidade e anos de uma cuidadosa prática, alguns dos feitos mais magníficos que eles realizam são, ao mesmo tempo, alguns dos mais simples de se executar.

Lou Costello ganhava muito dinheiro em apostas quando mostrava uma pilha normal de cartas e pedia a um “trouxa” para selecionar qualquer carta do monte. Então, Lou lhe dizia que conhecia alguém em uma cidade distante que era um confiável telepata. Lou apostava que se o homem ligasse para o telepata e pedisse para falar com o mago, esse mago lhe contaria, por meio de telepatia, qual carta ele tinha selecionado. Quando o tolo fazia a aposta (como Jackie Gleason admitiu ter feito uma vez), ele discava o número e chamava o mago. O mago pedia que o homem pensasse na carta que tinha selecionado e, então, prontamente, lhe dizia a carta pelo telefone… Este truque funcionava todas as vezes.

Como Costello ou o mago faziam isso? Era um trambique simples. Costello tinha cinqüenta e dois “magos” espalhados por todo o país. Cada um era responsável por uma carta em particular. Costello memorizava o mago e seu número de telefone para todas as cinqüentas e duas cartas do monte. Quando o trouxa escolhia uma carta, Costello simplesmente lhe dava o nome do mago responsável pela carta em questão. Toda vez que aquela pessoa recebia um telefonema de alguém pedindo um mago, ela sabia qual era a carta que devia identificar.

Os truques de Satanás são bem mais sofisticados do que isso, contudo não deixam de ser truques. Seu ilusionismo pode exceder o de Houdini, mas de maneira alguma se aproxima do poder miraculoso de Deus, que sozinho pode tirar algo do nada e a vida da morte.

Os agentes de Satanás perderam a disputa com Moisés e Arão. Eles foram derrotados por Elias no monte Carmelo. E eles não foram páreo para Cristo no deserto ou durante seu ministério na terra. Satanás buscou induzir Jesus a usar seu verdadeiro poder miraculoso a serviço de Satanás, um poder que Satanás cobiçava. Simão, o mágico, buscou em vão comprar o poder do Espírito Santo (At 8.9).

A providência de Deus é servida pelo poder de Deus. Os milagres são parte do governo soberano de Deus sobre a criação e sobre a história. Sua Palavra é soberanamente autenticada por aquele poder que ele não está disposto a conceder aos poderes das trevas. Os truques de Satanás são expostos pela Palavra, cuja verdade foi confirmada e comprovada pelo testemunho miraculoso de Deus.

A Igreja atual enfrenta uma grave ameaça daqueles que querem reivindicar o poder e a autoridade apostólicos. Neste aspecto, o cristão deve estar sempre vigilante e fugir daqueles que têm tais pretensões."




Fonte: Fonte: Extraído de A Mão Invisível – Todas as Coisas Realmente Cooperam para o Bem?, R.C. Sproul. 1ª Edição, Editora Bompastor, 2001. São Paulo, SP. 237-262.


terça-feira, 3 de novembro de 2009

O Que Diz o N.T. Sobre o Anticristo? (2 de 3)

O ensino neotestamentário mais claro acerca do anticristo futuro é encontrado nos escritos de Paulo, no assim chamado “pequeno apocalipse” de 2 Tessalonicenses 2. Embora o termo anticristo não seja usado nesta passagem, a maioria dos comentaristas, conforme mencionamos, identifica o “homem da iniquidade” de Paulo com o anticristo de João. Em 2 Tessalonicenses 2.1-12, Paulo está dizendo a seus leitores - muitos dos quais pensam que a segunda vinda de Cristo já estava em processo - , que certas coisas precisavam primeiramente acontecer antes que venha o “dia do Senhor”. Um destes acontecimentos é a grande apostasia ou rebelião... O outro evento, ao qual dedicamos agora nossa atenção, é o surgimento do “homem da iniquidade”.

São ditas várias coisas acerca do “homem da iniquidade” nessa passagem:

1) Ele aparecerá na grande apostasia ou rebelião. Observe como essas duas figuras são vinculadas no verso 3: “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da iniquidade”.

2) Ele será uma pessoa. A descrição fornecida neste capítulo não pode se referir a nada além de uma pessoa definida. Ele é denominado o “homem da iniquidade, o filho da perdição” (v. 3), o qual se opõe (ho antikeimenos) e se levanta contra tudo que se chama Deus, ou objeto de culto (v. 4). É dito que ele se assenta no santuário de Deus (v. 4), que algo agora o está detendo, e que ele será revelado a seu tempo (v. 6). É dito mais adiante que o Senhor Jesus o matará com o sopro de sua boca (v. 8). Embora Paulo diga que “o mistério da iniquidade já opera” (v. 7) no mundo, em seus dias, ele claramente prediz a vinda de um homem da iniquidade final antes que Cristo venha de novo. Portanto, o que não está totalmente claro, no ensino de João acerca do anticristo, fica claro aqui: haverá um anticristo final e pessoal antes que venha o dia do Senhor. Embora alguns tenham sugerido que devamos ler Paulo à luz de João, e outros tenham dito que devamos ler João à luz de Paulo, eu creio que devemos levar em conta ambas as abordagens. Não existe um conflito básico entre estas duas abordagens, uma vez que, conforme já vimos, João deixa espaço para a vinda de um anticristo pessoal no futuro, e Paulo reconhece que as forças do anticristo já estão operando no mundo (v. 7).

3) O homem da iniquidade será objeto de adoração. Ele não somente se oporá a tudo que se chama Deus e é adorado, mas irá também “assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus” (v. 4). Em outras palavras, ele se oporá a toda forma de adoração exceto à adoração dele próprio, a qual ele exigirá e imporá à força. A expressão “assentar-se no santuário de Deus” não deveria ser entendida como implicando que haverá novamente um templo judaico literalmente entendido na época da volta de Cristo, nem como sugerindo que o homem da iniqüidade surgirá na igreja, que é o correspondente neotestamentário do templo do Antigo Testamento. Provavelmente, é melhor entender esta expressão como uma descrição apocalíptica da usurpação da honra e adoração que deveria ser rendida unicamente a Deus. Herman Ridderbos pondera da seguinte forma: “Assentar-se no templo é um atributo divino, é usurpar para si a honra divina”. Nem é necessário dizer que esta exigência do homem da iniquidade, em ser adorado, envolverá perseguição severa para o verdadeiro povo de Deus, que rejeitará esta exigência. Essa, então, será a “grande tribulação” predita por nosso Senhor. Em outras palavras, a intensificação culminante da tribulação, que é um dos sinais dos tempos, coincidirá com o aparecimento do homem da iniquidade.



Anthony Hoekema


Referencial teórico

HOEKEMA, A. A. A Bíblia e o Futuro. Editora Cultura Cristã, 2 edição, pg. 180-190. São Paulo - SP, 2001.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Que Diz o N.T. Sobre o Anticristo? (1 de 3)

“O termo anticristo (antichristos) é encontrado apenas nas epístolas de João (1Jo 2.18, 22; 4.3; 2Jo 7). O significado original do prefixo grego anti é “em vez de” ou “em lugar de”. Nesse sentido, antichristos significa um Cristo substituto ou Cristo rival. Contudo, desde que o anticristo é retratado no Novo Testamento também como o adversário declarado de Cristo, podemos combinar ambas as idéias: o anticristo é tanto um Cristo rival como um oponente de Cristo.

Em 1Jo 4.2,3 o termo anticristo é utilizado obviamente num sentido impessoal: “Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem, e presentemente já está no mundo”. A principal heresia que João estava combatendo, em sua primeira epístola, era um gnosticismo incipiente. Um dos erros desses primeiros gnósticos era negar a genuína encarnação de Cristo. Uma vez que a matéria era considerada como má, eles ensinavam que Deus não poderia entrar num corpo genuíno, e que Cristo, por causa disso, teve apenas um corpo aparente (ou docético) enquanto estava sobre a terra. Isto, aos olhos de João, era uma heresia tão mortal que retirava o cerne do evangelho. Se Cristo não tivesse assumido uma natureza humana genuína, com um corpo humano genuíno, então o homem não teria um verdadeiro Mediador, nenhuma expiação teria sido feita por nós, e ainda estaríamos em nossos pecados. Por esta razão, João diz que negar que Cristo veio em carne (isto é, assumiu um corpo humano genuíno) é revelar o Espírito do anticristo. Deve ser observado, entretanto, que aqui João fala do anticristo apenas de modo impessoal.

João expressa a mesma idéia de modo mais pessoal em 1Jo 2.22: “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo (ho antichristos), o que nega o Pai e o Filho”. Aqui o antricristo é considerado como uma pessoa, uma vez que o artigo definido foi usado junto com a palavra. Mas ele é considerado como uma pessoa que já está presente nos dias de João – na verdade, como alguém que representa um grupo de pessoas. A heresia aqui denominada de anticristo é aquela que postula um abismo intransponível entre um Jesus meramente humano e um Cristo divino e docético (e por causa disso não-humano).
No mesmo sentido vem a passagem da segunda epístola de João: “Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo afora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo (ho antichristos)” 2Jo 7. Novamente, João fala em termos pessoais: o anticristo. Mas novamente, como na passagem recém-citada, o anticristo é um termo usado para descrever várias pessoas que sustentam essa heresia fatal – pessoas que já estavam no mundo da época em que João escrevia.

Em 1Jo 2.18, porém, João fala tanto de um anticristo, que ainda está vindo, como de anticristos que agora já estão presentes: “Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora”. As palavras: “como ouvistes que vem o anticristo” indicam que João efetivamente esperava um anticristo pessoal no fim dos tempos, assim como a igreja cristã primitiva. Provavelmente, ele estava familiarizado com o ensino de Paulo acerca do “homem da iniqüidade”, referido na segunda carta aos Tessalonicenses 2, que tinha sido escrita muito antes. Ele também estaria familiarizado com os ensinos acerca desse futuro oponente de Deus e de Cristo encontrado em Daniel e nas palavras do próprio Cristo. Portanto, não é correto dar a impressão de que João não aguarda um anticristo futuro em nenhum sentido; nessa passagem, lembra ele seus leitores acerca de algo que eles já conhecem: “como ouvistes que vem o anticristo”. Mas João também vê vários anticristos no mundo de seus dias: falsos mestres que negam que Cristo tenha vindo em carne. Nós poderíamos chamar esses falsos mestres de precursores do anticristo final. Uma vez que João já via estes “muitos anticristos” no mundo, ele conclui que nós agora, na era presente, estamos na “última hora”. Dessa forma, podemos esperar continuar a encontrar pessoas e poderes do anticristo em cada era da Igreja de Jesus Cristo até sua segunda vinda. Esse sinal dos tempos, portanto, assim como os outros, caracteriza toda a era da Igreja entre as duas vindas de Cristo, e possui relevância para a Igreja hoje. Precisamos constantemente estar em guarda contra anticristos e contra ensinos e práticas de anticristos.

Resumindo, podemos admitir que a idéia de um anticristo único futuro não é muito proeminente nas epístolas de João; sua ênfase recai mais sobre os anticristos e idéias de anticristos que já estavam presentes em seus dias. Mesmo assim, não seria correto dizer que João não admite, em seu pensamento, um anticristo pessoal futuro, uma vez que ele ainda aguarda um anticristo que deverá vir."


Anthony Hoekema


Referencial teórico

HOEKEMA, A. A. A Bíblia e o Futuro. Editora Cultura Cristã, 2 edição, pg. 180-190. São Paulo - SP, 2001.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Morto Faz Alguma Coisa?

Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados...” Ef 2.1



Ao escrever resumidamente aos santos que vivem em Éfeso (1.1) sobre o plano de Deus para a salvação de judeus e gentios (cf. 3.3), Paulo declara a condição espiritual daqueles que não estão “em Cristo”. E esta é a mensagem: o ímpio está tão indiferente a Deus quanto um cadáver. Ele não busca a Deus (Rm 3.11) e ainda que ele faça coisas boas no aspecto moral (cf. Lc 6.33, At 28.2, Rm 2.14), sua alma está morta. Longe de Deus há morte, escravidão e condenação (Ef 2.1-3), sintetiza o apóstolo.

Em Efésios, Paulo não desenvolve toda a sua idéia antropológica e nem sequer faz menção explícita quanto ao homem ser criado à imagem de Deus. Certamente isso foi intencional e o quadro exposto em Ef 2.1-3 tem uma forte ênfase na condição desesperadora da humanidade sem Deus. Se essa epístola terminasse nesses três primeiros versículos, não haveria esperança para o homem. De fato, assim entendemos, porque “morto” não ressuscita naturalmente (2.6), não doa ou produz a fé (2.8; Hb 12.2a), não pratica as boas obras de Deus (2.10) e, então, jamais se salvaria da ira vindoura (1Ts1.10).

Portanto, quando a Bíblia nos diz que estamos “mortos em nossos delitos e pecados”, ela está dizendo que somente Deus - o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Ef 1.3-14) - é o agente da nossa salvação. “Mas Deus... nos deu vida... nos ressuscitou... nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (2.4-6). “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (2.8). A linguagem que Paulo utiliza em Efésios deveria ser bastante clara para os cristãos, especialmente quando ele diz “mortos”.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Nenhum Versículo da Bíblia diz Tudo

E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.”
(João 14.13,14)

Uma jovem, se referindo a esse texto, me procurou dizendo: “... e quando pedimos e não acontece? Será que está nos faltando fé? Será que Deus não quer que seja assim? Mas, se Ele não quer, Ele não diria "Tudo". Poderia dizer apenas “aquilo que Ele aprovasse”, ou será que apenas não sabemos esperar?”

Essa jovem fez as perguntas certas sobre o texto, partindo inicialmente da interpretação que diz que toda oração é respondida. Na segunda parte da sua dúvida, ela muda de hipótese e passa a considerar que há uma outra maneira de entender João 14.13, especialmente em relação a palavra “tudo” do versículo.

De fato, a primeira impressão que temos ao lermos tais palavras de Jesus é que a oração feita no nome de dEle nos dá o direito de recebermos qualquer coisa que pedirmos, uma idéia muito comum na igreja evangélica de hoje. Para chegarmos nessa conclusão, precisamos ignorar totalmente outros textos da Bíblia ou selecionarmos alguns deles. Precisamos ter também uma atitude contrária a dessa jovem e literalmente “engolir” o que os teólogos das orações mágicas e instantâneas nos ensinam.

Minha intenção não é expor o texto do capítulo 14 do evangelho de João verso a verso, mas dar diretrizes para o entendimento dos versículos “problemas”. Em primeiro lugar, conforme a oração do Pai Nosso, toda oração do cristão deve estar debaixo da vontade de Deus. Isso está absolutamente implícito em “Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei”, ou seja, o que Jesus havia ensinado sobre oração antes de pronunciar tais palavras em Jo 14 continuava (e ainda continua) valendo. Seria muita incoerência do Filho de Deus dizer algo em Jo14.13,14 do tipo: “Peça-me o que você bem quiser que isso eu vou fazer sem qualquer problema. O que você quer é o querer do Pai”. A vontade de Deus é revelada nas Escrituras. Não há mistério quanto ao conhecê-la. Basta aos cristãos lerem a Bíblia e se orientarem somente pelo o que ela diz. Creio que, além de Jesus, o apóstolo João também não era contraditório e assim nos ensina em 1Jo 5.14,15: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito.” É o mesmo autor do texto “problema”!

Em segundo lugar, a finalidade da petição é para que “o Pai seja glorificado no Filho”. Daí eu pergunto: o que você pede em suas orações é para a glória de Deus? O que é “para a glória de Deus”? Uma das passagens que me veio a mente para tentar ilustrar melhor o que significa o Pai ser glorificado na oração é Jo 11.41-43, que diz: “Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste. E, tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!”. A oração de Jesus tinha sido ouvida pelo Pai e o propósito da oração do Senhor é bem claro: “para que creiam que tu me enviaste.” Jesus somente ressuscitou Lázaro por esse motivo e o milagre certamente ocorreu porque glorificava o Pai. Num sentido mais amplo, esse é precisamente o propósito do apóstolo ao escrever o seu evangelho.“Estes {sinais}, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” Jo 20.31 // “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome;” Jo 1.11,12. João 17, outra oração do Senhor, particularmente os versículos 8,21,23,25, atesta para esse mesmo propósito. Portanto, creio que todas as nossas orações devem conter esse objetivo. Tudo o que pedirmos deve glorificar a Deus e foi isso que os apóstolos e os discípulos fizeram (em oração, na comunhão, no partir do pão...) depois que Jesus morreu, ressuscitou e subiu aos céus. E assim sabemos pelo livro de Atos, que desdobrou aquilo que Jesus havia dito em Jo 14.12: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai.” Imediatamente depois, Jesus, então diz “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.”

Por último, considero extremamente difícil os evangélicos de hoje lerem Jo 14.14,15 com essas considerações, que precisam ser feitas para o correto entendimento do texto. Assim afirmo porque os pastores de hoje (me refiro a maioria) ensinam somente o versículo e com uma teologia que se fundamenta na avareza e na necessidade de exigirmos de Deus sempre o de bom e o do melhor que essa vida material nos oferece. Não se pensa “no todo”, mas “no versículo”. E não se pensa “em Reino”, mas se pensa “em si”.

sábado, 24 de outubro de 2009

Perguntas Difíceis de um Ateu para um Cristão

Richard Dawkins - o pop star do chamado Novo Ateísmo - em um debate com Alister McGrath, teólogo cristão reformado, levantou perguntas difíceis de serem respondidas e também difíceis de serem desconsideradas por nós, os cristãos. Abaixo estão algumas das questões do debate (que pode ser assistido aqui). Por elas terem sido transcritas, o texto se mostra muitas vezes truncado. Eis as alfinetadas do boca dura do Dawkins:

1. “O pecado parece ter sido de certa forma pago pela morte de Jesus, tortura e morte de Jesus. Alguém olhando de fora veria nisso uma doutrina bem desagradável porque temos uma idéia de punição como uma forma de pagar o pecado, que possui alguns aspectos desagradáveis ligados a isso. Também existe a idéia de punir alguém pelos pecados que ele não cometeu. Possuía a idéia de que, pelo menos para alguns teólogos, puni-lo pelos pecados que foram cometidos por Adão, que nem mesmo existiu. E para outros teólogos que incluem a idéia de pagar os pecados que ainda serão cometidos no futuro mesmo que as pessoas do futuro escolham não cometê-los. E finalmente nos deixam um tipo de sentimento confuso, quem ele {Jesus} está tentando impressionar, porque se ele realmente fosse uma das manifestações de Deus, se ele quisesse perdoar os nossos pecados, porque ele apenas não os perdoou, em vez de passar por toda aquela auto-tortura?”

2. “Você disse que não é um deísta, mas sim um cristão, existem, claro, outras formas de não ser um deísta. Você poderia ser um judeu, poderia ser mulçumano, poderia ser hindu. Todas elas são diferentes e elas se diferem exatamente nos mesmos tipos de detalhes de que você se sente tão seguro. Como você sabe que a crença em que você foi educado é a correta? E não a do deus abstrato dos físicos que estávamos falando mais cedo e que não faz todas essas reivindicações. Porque o cristianismo?”

3. “Quando você ouve que milhares de pessoas foram mortas, se afogaram ou explodiram, o que quer que seja, e você ouve que uma criança se salvou. E os pais dela agradecem a Deus por ter salvado essa criança. A ironia disso não mexe contigo? Quero dizer, Deus poderia ter salvado todas aquelas 10 milhões de pessoas. Porque ele salvaria essa única criança? Eu espero que você diga: “ele não salvou a criança, essa criança foi apenas sorte”. Mas existem muitas pessoas cuja crença em Deus, quase que inacreditavelmente eu acho, aumenta quando há um desastre desse tipo, ao contrário de diminuir. Como você analisa isso?”

4. “Na época dos ataques de 11 de setembro, um dos aviões não chegou ao alvo, caiu em um campo. Mais tarde, alguém disse que um dos passageiros havia provavelmente lutado com a tripulação e foi por isso que a coisa desandou. A esposa de um desses homens, eles ficaram sabendo isso pelo celular, disse que ela sentiu que seu marido, que havia lutado com os seqüestradores, foi um instrumento de Deus ao impedir que o avião alcançasse o seu alvo, talvez a Casa Branca. E meu amigo nos EUA que me enviou essa informação, disse, e eu achei muito racional: “Se Deus quisesse impedir que isso acontecesse, porque ele não deu ao seqüestrador um ataque cardíaco, ou outra coisa?” Porque ele teria que fazer as coisas dessa forma extraordinária, em que os passageiros tem que brigar com a tripulação e o avião se chocasse matando todos a bordo? E dois outros, três outros aviões chegaram ao alvo... Toda vez que há uma enorme catástrofe como essa, a fé das pessoas em Deus cresce. Eu acho isso totalmente bizarro.”

5. “Você acha que a Ciência e a Fé são incompatíveis?


Estamos preparados para respondê-las ou simplesmente ficaremos calados, guardando a nossa fé e, porque não, inteligência também?

antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo,” 1Pe 3.15,16

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